O Dom do autismo é um projeto gestado e coordenado por este que lhe escreve. Está hospedado atualmente na AMADEF (Associação de Mães e Amigos dos Deficientes e seus Familiares), de São Vicente, SP. O projeto se propõe a capacitar professoras e familiares de crianças autistas e, para essa logística, patrocina palestras e oficinas sobre o assunto.

            As oficinas têm a duração de oito horas, e foram imaginadas para cuidadores e educadores, mas têm sido frequentadas por profissionais da área interessados ou envolvidos no assunto. Essas oficinas tentam abranger os diversos aspectos do universo autista (histórico, CID-10, DSM-IV, discussão de prováveis causas, sistema nervoso central, rituais, técnicas de convivência, o universo familiar, escolar e social, o papel das escolas, especiais e inclusivas, o ensino da matemática e a alfabetização). Os participantes são orientados a construir uma planilha de avaliação, com sete ítens específicos, para acompanhar a evolução e orientar intervenções.

            A novidade do projeto está na crença, que temos, de que o autismo não é um transtorno, mas um dom, um talento natural que nasce com a criança, que o torna incomum e molda seu comportamento. A tarefa maior de pais e educadores seria descobrir qual é esse dom e estimulá-lo. Através do desenvolvimento desse dom, o próprio autista promove socialização adequada, visto que vai atrair a atenção do grupo interessado naquele assunto específico.

            Nesta seis últimas décadas, temos perseguido a compreensão do autismo através da constatação de que seus rituais são não funcionais e, até devido a isso, devem ser extintos. Sustentamos, ao contrário, que tais rituais são funcionais e, mais que isso, necessários ao desenvolvimento da criança autista. Dessa maneira, não os reprimimos e, na medida do possível, imitamos seus rituais, fazemos junto com a criança. Essa sustentação não sai de uma simples ideia, mas de uma sustentação teórica discutida a cada palestra, a cada oficina, a cada encontro.

            Na prática, tem funcionado. As famílias que compreendem o sistema, e o adotam, têm visto progressos.
            Mais do que isso, consideramos que a tentativa de extinguir rituais, de socializar o autista, têm criado sujeitos ego-distônicos. A ego-distonia é a característica mais forte do autista que não se desenvolve.

        Nesses trilhos colocamos nosso trem: A participação ativa em congressos e discussões com pais e profissionais faz parte não só da divulgação do projeto, mas também da discussão de contrapontos que têm acrescentado, modificado, corrigido, lapidado nosso rumo.



Alguns vídeos da AMADEF
Comemoração dos 03 anos de Fundação:
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=317390
Primeira em Notícias - Passeata AMADEF :
http://www.youtube.com/watch?v=aeG6M4MsTmQ