Quando eu era pequeno, era rei do mundo,
Tudo eu podia, tudo desejava: a lua, a rua,
o grande areado, a trave e a bola, a Rose,
a carambola, o taco, a esperança e o riso,
a estrada e o futuro à espera tua.

Depois, fui crescendo e descobrindo a vida:
tudo terminava, mas me pertencia,
acumulando ganhos, perdas, desvarios,
descobrindo dores pelos cantos frios,
eu subia escadas e achava que vivia.

Sonhei que projetos saíam de sonhos,
e que precisava apenas pôr o alicerce,
não sabia - pobre!- que o que é sonhado,
já não mais existe quando se está acordado,
e some na bruma quando se envelhece.

Tu me mostrastes a porta de uma nova terra,
onde a mentira não existe e não vingará,
onde se pode ouvir o desabrochar da flor,
o voar da borboleta, a respirar do amor,
onde o verdadeiro jamais faltará.

Doce e generoso, deixastes que eu entrasse,
e que morasse nesse mundo tão justo e real,
e descobri que tudo que tinha vivido,
era errado, falso, estranho, perdido,
o mundo que criastes é que é ideal.

Agora, filho amigo, digo-te a verdade:
és o maior amor entre meus amores.
é só pelos teus olhos que vejo a primavera,
é só pela tua vitória esta minha espera,
e só será o fim o dia em que te fores.

...mas quando te fores, lembra-te de mim:
não deixes que te mudem, sejas sempre assim!

Manuel Vazquez Gil